Cuba

Olá viajantes!

Confesso que sempre tive uma inclinação meio socialistinha. Desde que estudei o assunto na escola, via o Socialismo com uma aura de encantamento, pôxa, achava tão lindo essa coisa de igualdade, de não ter ricos e pobres… Fora que sempre amei Chico Buarque e, na minha adolescência, achava que ele era o cara mais inteligente e incrível desse mundo. E se Chico curtia o regime de Fidel, quem era eu pra achar que ele estava errado? Hahaha!

Eu cresci e meu encantamento foi diminuindo à medida que ia lendo e me aprofundando um pouco sobre o assunto. Se na teoria o socialismo é lindo – ainda acho que é – na prática passei a achar que ele não era tão bacana assim… e talvez por essas dúvidas, encantamentos e desencantamentos, ilusões (minhas) versus realidade, quis muito conhecer a Ilha dos Irmãos Castro e tirar minhas próprias conclusões.

E assim eu, namorado e dois amigos acabamos planejando de sopetão uma viagem à Cuba (Havana e Varadero) no Carnaval de 2010, que chamamos carinhosamente de “Carnavana”.

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Vista de Havana

Pra começar, fechamos o pacote de uma semana por uma agência especializada em Cuba e América Central, até mesmo porque tínhamos pouco tempo pra ir atrás de hotel, passagem, visto, seguro saúde etc. A agência foi excelente e nossa preocupação foi apenas a de pesquisar quais locais conhecer e visitar (os passeios não estavam incluídos).

Caso você resolva ir a Cuba por conta própria, saiba que vai precisar de visto. É super simples de conseguir, zero burocracia, afinal eles precisam muito do turismo pra sobreviver e sabem que muito pouca gente ia querer imigrar ilegalmente pra lá, né? Basta preencher um formulário bem simples, anexar cópia das passagens, da reserva de hotel e do passaporte e enviar pelos correios ou ir até um Consulado Cubano (no Brasil há apenas dois, um em Brasília e outro em São Paulo). Há também uma taxa a ser paga (R$45 quando se vai pessoalmente, quando se envia os documentos pelos correios esse valor aumenta). O visto é, na verdade, uma autorização de única entrada que vale por 30 dias, prorrogável por mais 30. Caso tenha alguma dúvida, acesse esse site ou entre em contato com a Embaixada em Brasília ou o Consulado em São Paulo, cujos dados você pode encontrar aqui.

Também precisará de vacina contra a febre amarela e de seguro saúde, desses normais que fazemos quando viajamos (existem vários no mercado, até mesmo alguns cartões de crédito que disponibilizam esse seguro quando se compra as passagens com o cartão).  Mais pra frente faremos posts sobre esses assuntos!

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Ruazinhas de Havana – a maioria é como a da esquerda, com aspecto mais abandonado e sem cuidado. Só algumas são arrumadinhas como a da direita, geralmente perto dos pontos mais turísticos.

Em Cuba há duas moedas oficiais: o peso cubano (usado pelos próprios cidadãos) e o peso cubano conversível, o CUC, usado por nós, turistas. Alguns lugares aceitam euros e dólares, mas não todos. Eu comprei dólares aqui e troquei por CUCs lá, é bem fácil de achar casas de câmbio para a troca. Mas fiquem atentos: quando estava pesquisando para a viagem, li relatos de pessoas que foram enganadas e compraram os pesos cubanos normais ao invés dos CUCs. Isso é uma fria, até porque 1 dólar = + ou – 1 CUC = 24 pesos cubanos! Se te derem um peso cubano por um dólar, você estará tomando um prejuízo gigantesco!

Tudo que você for comprar lá é cotado em CUCs, desde comidas, bebidas, passeios até os souvenirs. E também artigos de higiene ou supérfluos, como bolachas etc. Não é preciso dizer que a oferta desses itens lá é escassa – pelo menos era quando fomos, não sei se depois dessas mudanças efetuadas por Raul Castro isso ficou diferente… não existem muitas marcas disponíveis e é tudo absurdamente caro, portanto não se esqueça de levar tudo daqui, ou você vai morrer numa grana. Pra minha surpresa, uma marca de biscoito que eu vi muito por lá (aliás, uma das únicas) é a nossa Bauducco. Ah, outra coisa de extrema importância (pelo menos foi importante pra mim, que dó que eu fico de mim mesma quando lembro… hahaha!): os papéis higiênicos lá, mesmo os dos hotéis mais batutas, estão longe da maciez do nosso Neve… E mesmo que você queira muito comprar um papel melhorzinho pra uma emergência, desista – não tem pra vender! A não ser que você decida ir a Miami! Rs

Antes de ir eu tinha lido muitas coisas, em algumas eu acreditei e eram mito, em outras eu não botei fé e eram verdade. Por exemplo: havia lido que lá era bem difícil de aceitarem cartão de crédito, então comprei um monte de dinheiro em espécie. Chegando lá, vi que muitos lugares aceitavam sim! Claro que na bodega da esquina ou no taxi podiam não aceitar, mas nos principais restaurantes e pontos turísticos aceitavam sim! Em todo o caso, melhor levar uma provisão em cash… Outra coisa que havia lido, mas que se confirmou: não era todo lugar que tinha coca-cola, esse símbolo máximo do imperialismo americano! Que triste! Eles tinham um refrigerante próprio, o TuKola, que é bem ruinzinho, por sinal… Tive que ficar nos suquinhos! Rs!

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Tukola: os cubanos adoram, mas eu não curti não!

Por fim, algo que eu havia lido e duvidei, achei exagero, mas é verdade: os cubanos são extremamente carentes de certas coisas que pra nós são básicas, mas pra eles são como se fossem supérfluos, como por exemplo determinados itens de higiene. Shampoos, sabonetes, cremes dentais e afins são itens de luxo lá e eles nem sempre conseguem grana pra comprar, então é comum eles abordarem os turistas para pedirem esses itens. Eu não acreditei nisso quando me disseram, mas aconteceu sim com a gente. Me arrependi muito de não ter lotado minha mala de sabonetes quando fui… Fomos abordados por uma mulher super distinta, que explicou que estava necessitando de sabonetes, pois não tinha conseguido comprar… Nós não tínhamos sabonetes ali naquela hora, e nenhum lugar ali por perto vendia, então oferecemos dinheiro para que ela mesma pudesse comprar, mas ela ficou extremamente ofendida, afinal “não estava mendigando dinheiro, apenas pedia itens de que necessitava”. Nem preciso dizer que nossa intenção em momento algum foi a de ofendê-la, mas sim de ajudar, enfim. Esse não é um mito, infelizmente.

Bem, superados esses aspectos gerais, nos próximos posts vou falar mais sobre Havana e Varadero. Aguardem, pois vale a pena! Um beijo e até breve!

by Maria Farnesi

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8 comentários sobre “Cuba

  1. Má, meu pai foi em um Congresso em Cuba no início dos anos 90 e ele tem várias histórias estranhas. Essa história do sabonete, por exemplo, o carregador de mala do hotel pediu o que tinha sobrado do sabonete do meu pai. Sim, sabonete USADO.
    E nesses congressos costumam ter jantares super chiques, né? Em Cuba foi bem simples, tipo frango com arroz. E, no final, as mulheres dos médicos guardaram todas as sobras na bolsa.
    Ele voltou bem impressionado…

  2. Pois é, Mon, eu tb voltei impressionada com um monte de coisa… Cada hora lembro de uma história. A gente vê e ouve cada coisa lá!!! É triste, mas ao mesmo tempo bom ver ao vivo, parece que cai a ficha e a gente passa a dar valor até ao açúcar que compra.

  3. Pingback: Cuba – Varadero | Amigas Viajantes

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